Tinha este par guardado para aqui pôr no Natal e o Natal passou. Mas estamos a precisar tanto de um céu estrelado, que me pareceu apropriado trazer hoje duas histórias de estrelas perdidas — e encontradas.
Os humanos são seres desorientados, por natureza. Precisam de foco, segurança e orientação desde cedo e por toda a vida. A estrela é o símbolo perfeito para tudo isto. Se nos falta a nossa estrela, sentimo-nos perdidos.
A estrela sempre fez parte das histórias: das clássicas e das que contamos hoje.
Lembro-me de que a minha mãe me contava a história de uma menina Mafalda e de uma estrela. Não me lembro da história, mas lembro-me da satisfação (conforto, segurança, alegria) que ouvir aquela aventura mil vezes repetida me trazia. Hei de pedir que ma escreva.
Onde esconder uma estrela parece ser, à primeira vista, um remake do clássico Perdido e Achado (que nunca trouxe a esta prateleira, de tão óbvio que é numa prateleira-de-baixo que se preze). Mas, aqui, o equívoco que faz desenrolar a aventura é diferente, de modo que temos uma outra doce fábula.
A estrela, amiga do menino e do pinguim, escondida ou levada pelo barco, não se chega na verdade a perder, porque depressa se torna de outra pessoa. Embora se mantenha do menino.
A amizade e a interajuda voltam a ser os motores e o amaciadores desta aventura, em que reencontramos outras personagens bem conhecidas do mundo de Jeffers. O valor da partilha é também um tema recorrente de Jeffers noutros álbuns. E a tese, aqui, é que partilhar não é perder alguma coisa: é ganhar ainda mais.
Também este lindíssimo raposo perde o seu norte, pois a estrela, sua companheira lá no céu, desaparece.
A fazer lembrar graficamente os magníficos álbuns de Iela Mari, O raposo e a Estrela leva-nos numa viagem por uma floresta negra, acompanhando um raposo que parte também em busca da sua estrela.
Dizem que os animais vêm a preto e branco e é assim que nos é apresentada a requintada floresta onde o raposo laranja-fogo procura, desespera e aprende a espera.
Há animais que hibernam. Parece batota, assim seria fácil aguentar estes meses de escuridão.
Aos humanos, que não hibernam, salva-nos as histórias. E as estrelas também dão uma ajuda.
É procurar espreitá-las por entre as pingas e acreditar que melhores dias virão..
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Orfeu Negro, 2025
Oliver Jeffers
isbn 9789899225008
Relógio d'Água, 2023
Coralie Bickford-Smith
isbn 9789897834073










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